sexta-feira, 22 de junho de 2012

Eleições para a prefeitura paulistana

Dize-me com quem andas e dir-te-ei teus limites


Por que o PT tem que se aliar a Maluf, Collor, Sarney e outros?

Recentemente, li dois artigos sobre a Venezuela, um do Mark Weisbrot no Blog do Miro e outro do Jorge Américo no site do Rodrigo Vianna (Escrevinhador).

Então, é o seguinte: de fato, o Brasil de Lula conquistou avanços inéditos em crescimento e justiça social. Dito isso, é preciso reconhecer que os avanços na Venezuela foram imensamente, gigantescamente maiores.

- analfabetismo erradicado (segundo auditoria da Unesco e do Partido Republicano dos EUA);

- o melhor índice de distribuição de renda da América Latina e Caribe;

- redução e quase extinção da pobreza;

- o maior crescimento econômico da década na América Latina e Caribe.

Isso foi possível porque o presidente Chávez não faz alianças com a direita. Ele se alia ao movimento popular. A “governabilidade”, que aqui é obtida em alianças com Sarney, Maluf, Collor, Roberto Jefferson e outros, lá é mantida pela força das organizações da sociedade civil. É uma governabilidade de esquerda.

Enquanto Chávez reforça seus vínculos com o movimento popular, Dilma faz omelete na Globo.

Dito isto, vamos analisar os últimos acontecimentos relativos á eleição paulistana.


A aliança

No recente episódio Haddad-Erundina-Lula-Maluf, os dois lados erraram.

O PT ensaiou um aliança com o segundo pior prefeito de São Paulo: Kassab. E, em seguida, fechou aliança com o pior prefeito que São Paulo já teve, Maluf. Não acho que alguns minutos na TV valham a subserviência de levar Lula e Haddad para beijar a mão de Maluf em sua suntousa mansão. Lula errou. O PT errou. Maluf representa o que de pior São Paulo tem. O PT deveria querer distância máxima dele. O PT deveria deixá-lo nos braços de Serra e denunciar a aliança entre os que são contra os movimentos sociais.

Foi desagradável ver aquela imagem de Lula ainda frágil cumprindo a exigência de Maluf de ir à casa dele se deixar fotografar. Haddad com um sorriso amarelo e Maluf com a cara de pau de sempre.

Erundina errou. Foi correndo à mídia tucana chorar suas mágoas e expressar sua vacilação do "fico ou saio". Será que ela não aprendeu que a mídia rentista (o PIG) é território inimigo?

Até a assessoria do Obama (do Obama!!) chegou a declarar que considerava a Fox News um partido adversário, e não uma rede de notícias.


Será bom em termos eleitorais?

Ricardo Musse, professor de sociologia da USP, membro da equipe responsável pelo programa de governo de Haddad, afirmou que o tempo de TV do PP é relevante e que não tem importância a foto com o aperto de mão entre Maluf e o ex-presidente Lula, ao lado de Haddad. "É um espetáculo midiático que dura 24 horas", segundo ele. Musse lembrou que pelo menos desde 2002 o PT abriu o arco de alianças. "Maluf e Collor apoiaram Lula e apoiam Dilma. Não vi nada de inusitado."

Só que é evidente que aquelas fotos fatídicas serão a principal arma do PIG e da oposição para combater a candidatura Haddad. O espetáculo durará muito mais que 24 horas, pois será lembrado, relembrado, re-relembrado e re-re-relembrado na TV, no rádio, nas revistas, nos jornais e na internet. Com isso, Haddad certamente perderá centenas de milhares de votos, talvez mais. É uma pena, pois ainda é o melhor candidato, na minha visão.


Qual foi a moeda de troca?

Para Maluf foi muito bom. A bancada malufista na Câmara Municipal, que já é expressiva, ficará maior ainda. E certamente o acordo inclui a entrega de uma secretaria a Maluf. Provavelmente a Secretaria Muncipal de Habitação. É o tipo de secretaria que Maluf ama de paixão.

Uma hipotética administração Haddad não poderá ser tão progressista quando Haddad é, pois ele terá secretarias nas mãos do PTB e, agora, de Maluf.

É importante lembrar que uma coisa é o PP nacional. Outra, completamente diferente, é o PP paulista. Podemos dizer que é o "partido de Maluf".


Rumos

Refrisando o início deste post: é preciso que o PT recupere sua conexão com as organizações da sociedade civil. Se ele as tivesse hoje, como Chávez  ou Cristina Kirchner têm, minutos na TV seriam absolutamente dispensáveis. Cristina Kirchner venceu as eleições em primeiro turno sem comparecer a NENHUM debate na TV. Ela sabe que os grandes meios de comunicação são seus inimigos.


Enquanto Dilma fizer omelete na Globo e der entrevista exclusiva à revista do Cachoeira, estamos mal. Enquanto uma pessoa ligada ao movimento de massas como Erundina for correndo à Globo e Veja para criticar o PT, estamos mal.

Agora o líder do movimento "Cansei", Flavio D'Urso, do PTB, diz que foi convidado para ser vice de Haddad, fato negado pela assessoria do pré-candidato. Mas depois do acordo com Maluf, fica-se na dúvida sobre quem está dizendo a verdade.

já que o PT não tem mais raízes no movimento de massas, porque abdicou dessa aliança, então o partido precisa mesmo se aliar com qualquer um que consiga alguns segundos a mais na TV.

E digo mais: o PSOL, PSTU, PCO e outros estão conquistando a direção de cada vez mais sindicatos, centros acadêmicos e DCEs, um atrás do outro. O Sindicato dos Metroviários de SP é só um exemplo. Se o PT não quer mais os sindicatos, há quem os queira. E, na minha visão, a influência desses partidos não é a melhor para o movimento popular. Só que eles estão lá, na luta. Enquanto isso, o PT está fazendo omelete na Globo e almoçando na mansão do Maluf.


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